No Dia do Agricultor, celebrado nesta terça-feira (28), a história de Sônia Resistência, no Assentamento Tabuleiro Alto, em Ipanguaçu (RN), mostra como a agroecologia pode transformar realidades. Há 20 anos, o Sebrae implantou no local uma unidade do projeto PAIS (Produção Agroecológica Integrada Sustentável), que encontrou na determinação da agricultora o motor para a mudança.
Sônia, hoje com 58 anos, cinco filhos, 16 netos e dois bisnetos, tornou-se referência em produção sustentável e liderança comunitária. “Quando comecei a participar do Projeto PAIS, a realidade era bem diferente. Minha renda era de R$ 16 do Bolsa Família. Resisti à pobreza, ao machismo e à falta de oportunidades. Hoje, carrego a resistência no nome”, afirma.
A propriedade de 16 hectares incorporou sistemas agroflorestais, reuso de água, secador solar e biodigestor. A produção diversificada — frutas, ovos, mel, hortaliças, ervas medicinais — abastece programas institucionais e consumidores de Ceará, Sergipe e São Paulo. A família também produz repelente à base de citronela.
“A agroecologia me deu autonomia. Saí de uma roupa doada para vestir a que gosto. Formei duas filhas”, orgulha-se Sônia, que preside a Associação da Agricultura Familiar de Base Ecológica Resistência, fortalecendo quintais produtivos e implantando lavanderia comunitária.
Para Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae Grande Natal, “o desenvolvimento territorial acontece quando identificamos forças vivas nas comunidades. Nosso papel é criar oportunidades para que elas próprias construam a transformação”. Já Fernando de Sá Leitão, gerente do Sebrae Vale do Açu, destaca: “Sabíamos do potencial da agroecologia, mas precisávamos da coragem de produtores como Sônia para dar vida à ideia. Hoje, aquela semente se multiplicou e é vetor de mudança para muitas famílias”.