Um encontro entre o saber fazer artesanal e o design contemporâneo marcou a programação do Ginga Moda RN nesta segunda-feira (27). O caso de sucesso “Mãos que Transformam – Coleção Poti Fios e Linhas” apresentou ao público uma iniciativa desenvolvida pelo Sebrae-RN, Instituto Riachuelo e a marca Catarina Mina, que reúne criações de 17 artesãs de crochê integrantes da Acari Criativa e da Casa do Artesão do Seridó.
Resultado de um processo de cocriação, a coleção traduz, em fios, formas e texturas, os saberes, as paisagens e a identidade cultural do Seridó potiguar. A iniciativa aproxima tradição e design contemporâneo, valoriza o trabalho manual e amplia as oportunidades de mercado para as artesãs da região.
O processo de desenvolvimento da coleção foi apresentado em um painel mediado por Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN, com a participação da designer Celina Hissa, fundadora da marca Catarina Mina; da gerente do Instituto Riachuelo, Renata Fonseca; e da artesã Leonete Gorgônio, representante da Casa do Artesão do Seridó.
Durante o debate, Verônica Melo destacou o protagonismo crescente do artesanato na moda contemporânea e a valorização da produção manual. “Vivemos em um mundo cada vez mais industrializado, mas a manualidade nunca esteve tão valorizada. O Brasil possui uma diversidade artesanal imensa, e esse conhecimento precisa ser cada vez mais incorporado ao desenvolvimento de produtos”, afirmou.
Referência nacional em processos colaborativos entre design e artesanato, Celina Hissa ressaltou que o trabalho artesanal não pode ser dissociado do território onde é produzido. “Cada lugar possui sua própria identidade. Não existe artesanato sem pensar no território e nas pessoas que constroem essa história”, destacou.
Parceiro do projeto há cinco anos, o Instituto Riachuelo acompanha a evolução das artesãs participantes. Para Renata Fonseca, os resultados vão muito além da geração de renda. “Nosso objetivo é fortalecer negócios sustentáveis, mas principalmente ampliar a visibilidade dessas mulheres para que sejam cada vez mais protagonistas das próprias histórias”.
Representando as artesãs da coleção, Leonete Gorgônio destacou o impacto das parcerias na valorização do trabalho desenvolvido no interior do estado. Crocheteira há seis anos, ela deixou o setor de franquias para transformar o artesanato em sua principal fonte de renda. “Esse projeto nos mostrou possibilidades que muitas vezes imaginávamos distantes. Para quem vive no interior, é uma oportunidade de levar nosso trabalho para outro patamar e perceber que ele tem valor e reconhecimento”.
Após o painel, o público conferiu de perto as peças da coleção e acompanhou os desfiles inspirados em elementos culturais e paisagens do Seridó. A coleção Morada no Meu Caicó propõe um exercício de memória afetiva a partir da arquitetura e das paisagens urbanas do Seridó, enquanto a coleção Acari tem como ponto de partida o peixe que dá nome ao município, símbolo de resistência e permanência no semiárido.
Para empresários e trabalhadores locais, a iniciativa representa uma oportunidade de valorização do artesanato regional, ampliando o mercado para produtos manuais e gerando renda para artesãs do interior. O projeto demonstra como a parceria entre design contemporâneo e tradição artesanal pode criar coleções de alto valor agregado, abrindo novos canais de comercialização e fortalecendo a identidade cultural do Seridó.
