O projeto “Doces do Seridó – Edição Geoparque” movimentou Carnaúba dos Dantas entre os dias 15 e 17 de outubro, com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo e valorizar a cultura alimentar local. A iniciativa, que contou com a parceria do Sebrae-RN, ofereceu capacitações para produtores, visando transformar receitas tradicionais em oportunidades de negócios e impulsionar a economia da região.
Realizado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e pela Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do RN (FUNCERN), em colaboração com o Sebrae-RN e a Prefeitura de Carnaúba dos Dantas, o evento incluiu oficinas, palestras e experiências gastronômicas. A contribuição do Sebrae-RN focou em duas atividades essenciais para empresários e trabalhadores locais: a palestra sobre o programa Contrata+Brasil, que visa conectar pequenos negócios a oportunidades de contratação pelo poder público, e a oficina de Design de Rótulos, voltada para aprimorar a apresentação e a identidade regional dos produtos.
Rodolfo Barreto, analista técnico do Sebrae-RN, destacou que a participação da instituição busca “conectar os conhecimentos tradicionais às ferramentas necessárias para que os produtores possam conquistar novos mercados”. Ele enfatizou que a qualificação em rótulos e apresentação dos produtos é crucial para “impulsionar as vendas, porque o empreendedor passa a ter um tratamento melhor do que produz e aprende como posicionar sua marca no mercado”. A identidade visual, segundo o Sebrae, é um diferencial competitivo.
Rafael Gomes, instrutor da oficina de Design de Rótulos, explicou a importância estratégica do rótulo como “o rosto do produto”. Ele ressaltou que, para produtos regionais, a ilustração e os elementos visuais devem comunicar a origem e a história, tornando-os mais competitivos. “Precisamos levar o Seridó para os rótulos por meio das nossas paisagens, da cultura, da fauna e da flora. Quando uma empresa deseja expandir sua comercialização, essa identidade se transforma em um diferencial”, orientou Gomes, incentivando o investimento em design qualificado.
A iniciativa teve impacto direto em produtores como Edneuza Dantas, da comunidade Xique-Xique. Ela, que integra a Casa da Vitória – um empreendimento coletivo de mulheres da agricultura familiar –, participou da capacitação e compartilhou a receita tradicional do caju-ameixa, um doce antigo que exige um processo artesanal demorado. Para Edneuza, o projeto é um “incentivo para que as pessoas valorizem nossa culinária, criem novos produtos e também resgatem os antigos”, gerando novas possibilidades de renda e preservando um patrimônio cultural.
O interesse em preservar o patrimônio culinário alcançou também as novas gerações, como a estudante Melissa Ellen, que participou da oficina de rótulos. Ela planeja compartilhar o aprendizado sobre a relação entre imagem, origem e história dos produtos com sua tia, que também produz doces. Maria Isabel Dantas, gerente de projetos da FUNCERN, afirmou que o projeto permite que produtores e comunidades “percebam que aquele conhecimento que dominam é importante e está sendo valorizado, passam a enxergar o produto caseiro também como um produto comercial. É o que chamamos de transformação da cultura em economia”.
Maria Isabel Dantas reiterou a importância da parceria com o Sebrae-RN, que “traz o conhecimento de empreendedorismo, gestão de negócios e mercado”. Esse apoio técnico é fundamental para a população que produz bens culturais, mas que muitas vezes enfrenta dificuldades para expandir sua produção. A capacitação oferecida pelo Sebrae-RN contribui diretamente para fortalecer os produtores e ampliar sua competitividade no mercado, beneficiando a economia familiar e o desenvolvimento regional.