Durante a Festa do Boi 2026, realizada no Parque Aristófanes Fernandes em Parnamirim, o Sebrae promoveu uma palestra sobre os impactos econômicos da mastite na produção de leite. O médico-veterinário Marcos Veiga apresentou dados que indicam que vacas com mastite podem produzir de um a três litros a menos de leite por dia, afetando não apenas a quantidade, mas também a qualidade do produto e a rentabilidade das propriedades rurais.
A mastite subclínica, que não apresenta alterações visíveis no leite, é um dos principais desafios, pois vacas aparentemente saudáveis podem ter sua produção comprometida. Além da redução na quantidade de leite, a doença pode impactar a remuneração, especialmente em indústrias que pagam conforme a qualidade do leite. Os custos com tratamento e o descarte do leite durante o tratamento também são preocupações para os produtores.
Veiga destacou que a mastite pode prolongar o período de não gestação das vacas em cerca de 30 dias, afetando o desempenho reprodutivo e gerando custos adicionais. Uma pesquisa realizada em parceria com o Sebrae de Minas Gerais revelou que propriedades com alta contagem de células somáticas podem ter um lucro anual até R$ 1 mil menor por vaca em comparação com aquelas com índices mais baixos.
O especialista enfatizou a importância do monitoramento, como a contagem de células somáticas (CCS), para identificar a presença da doença e orientar medidas de controle. Ele recomendou que os produtores realizem essa análise mensalmente para entender melhor a situação do rebanho e tomar decisões informadas sobre manejo e tratamento.
A palestra também abordou a importância de identificar os agentes causadores da mastite, que podem ser transmitidos entre animais ou pelo ambiente, exigindo estratégias de controle específicas. A análise microbiológica de amostras de leite é uma ferramenta útil nesse processo. Melhores práticas de manejo beneficiam não apenas os produtores, mas toda a cadeia leiteira, incluindo a indústria de derivados.