A Festa do Boi 2026, realizada no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, destaca a riqueza cultural e o potencial empreendedor do Rio Grande do Norte por meio do Espaço de Economia Criativa. O projeto “Feito de Criar” reúne artesãos de diversas regiões do estado, oferecendo ao público uma imersão nas tradições potiguares e demonstrando como o artesanato e as manifestações culturais geram oportunidades de negócios e fortalecem o turismo local. O evento, que acontece de 9 a 17 de outubro, convida visitantes a explorar a identidade potiguar em cada peça e vivência.
Para impulsionar a conexão entre cultura e empreendedorismo, uma das inovações desta edição é a informatização da loja colaborativa, que expõe produtos de mais de 40 artesãos. Com um sistema que cadastra, precifica e etiqueta as peças, a comercialização é facilitada, e o repasse dos valores aos profissionais é agilizado, beneficiando inclusive aqueles que não podem estar presentes. Segundo Maézia Teodora, gestora de Economia Criativa do Sebrae-RN, o espaço foi concebido para “integrar os diferentes territórios potiguares, valorizar o fazer manual e aproximar o público das manifestações culturais do estado”, além de dar visibilidade aos mestres artesãos que preservam técnicas tradicionais.
A curadoria das peças comercializadas no espaço reflete a identidade cultural da própria Festa do Boi, com produtos que remetem ao universo rural e às ricas tradições potiguares. Maézia Teodora reforça essa conexão, afirmando: “Trabalhamos muito a identidade cultural ligada ao tema do evento. Temos produtos que dialogam com o universo da Festa do Boi, com o agro e com os animais”, o que enriquece a experiência dos visitantes e valoriza a produção local.
Outro ponto alto da programação são as vivências diárias com mestres artesãos, realizadas a partir das 17h. Essas atividades permitem que os visitantes não apenas observem, mas também participem ativamente dos processos de criação das peças. No último sábado (10), o artesão Josimar Duarte, conhecido como Mestre Hygor, encantou o público ao compartilhar a técnica de criação de imagens com areia colorida em garrafas de vidro, ensinando os participantes a combinar cores, formar camadas e utilizar pequenos instrumentos para desenhar, produzindo suas próprias obras.
Mestre Hygor demonstrou como a técnica, originalmente com areias naturais, evoluiu para incorporar uma vasta gama de cores, guiando os participantes em cada etapa da criação. Ao longo da Festa do Boi, outros mestres artesãos compartilharão seus conhecimentos em técnicas como barro, pedra-sabão, renda de bilro, palha, madeira e metal. Essas vivências não só celebram a maestria manual, mas também buscam inspirar e despertar o interesse pelo artesanato como uma promissora via de trabalho e geração de renda, contribuindo para a sustentabilidade cultural e econômica do estado.
Além do artesanato, a programação cultural da Festa do Boi também oferece um palco para artistas e manifestações populares potiguares. No sábado (10), Duda da Boneca, nome artístico de Eduardo Freire, apresentou sua arte que combina dança com bonecas, poesia e música, enraizada nas tradições nordestinas. Até o encerramento do evento, em 17 de outubro, o público poderá desfrutar de outras atrações como Folia de Rua, Trio Trancelin, roda de choro, Orquestra Sanfônica, Pastoril Jardim das Flores e Fuxico de Feira, consolidando a Festa do Boi como um polo de celebração da cultura local.
A loja colaborativa é um verdadeiro mosaico da diversidade artesanal potiguar, exibindo técnicas como crochê, macramê, fuxico, madeira, palha de carnaúba, cerâmica e o renomado Bordado de Caicó. Maézia Teodora enfatiza que a iniciativa vai além da simples comercialização: “A ideia é integrar o setor de economia criativa e mostrar o fazer manual nos nossos territórios. Todos estão representados, temos artesãos de todas as regiões do estado”, destacando o papel do evento em promover a riqueza cultural e o potencial turístico do Rio Grande do Norte.
