Sete mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica estão transformando resíduos plásticos em móveis e outros produtos sustentáveis na Zona Norte de Natal. A iniciativa, apoiada pelo Sebrae-RN em parceria com a ONG The Human Project (THP), por meio do projeto ZRO, visa gerar trabalho e renda por meio da reciclagem.
Desde fevereiro de 2026, as participantes recebem formação em técnicas de reciclagem, fabricação de móveis, gestão e empreendedorismo. As atividades ocorrem em uma oficina instalada no Centro Educacional Dom Bosco, parceiro do projeto. Entre os produtos já desenvolvidos estão mesas, cadeiras, sousplats, porta-xícaras e prateleiras, utilizando plásticos de alta resistência como PEAD (2) e PP (5).
A capacitação é conduzida pela The Human Project, que já implantou oficinas semelhantes em outros estados. A unidade de Natal é a quinta do Brasil e integra o Programa Pró-Catadores no Rio Grande do Norte, voltado à inclusão produtiva e ao fortalecimento da cadeia da reciclagem.
Na última quinta-feira (30), representantes do Sebrae Nacional e do Sebrae-RN visitaram a cooperativa para acompanhar o desenvolvimento do projeto. A gerente de Negócios de Impacto do Sebrae-RN, Mona Nóbrega, destacou que a iniciativa nasceu após a equipe conhecer o Programa Pró-Catadores durante o Conexão ODS, evento realizado no ano passado em Natal.
Um diferencial é a metodologia de formação: novas turmas são capacitadas por mulheres que já passaram pela experiência, fortalecendo o protagonismo feminino. As máquinas utilizadas foram desenvolvidas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e possuem tecnologia aberta, permitindo sua reprodução sem patente.
A presidente da Cooperativa EcoD’ellas, Christiane Pessoa, conta que chegou ao projeto por meio do CRAS e encontrou uma oportunidade de ampliar horizontes. “Eu cheguei sem saber exatamente do que se tratava, mas logo percebi o potencial do projeto. Como já trabalhava com artesanato, enxerguei uma oportunidade de aprender uma nova atividade e desenvolver novas ideias. Hoje estou muito feliz por fazer parte dessa iniciativa”, relata.
Francinete Nascimento, de 37 anos, que antes era diarista, afirma que a cooperativa trouxe uma nova perspectiva. “Passei três anos dedicada aos cuidados da casa e dos meus filhos. Quando surgiu essa oportunidade, foi como uma luz no fim do túnel. Sempre gostei de trabalhos manuais e de colocar a mão na massa. Hoje me vejo crescendo junto com a cooperativa e acredito que todas nós já enxergamos esse projeto como uma empresa, com potencial para gerar renda e transformar vidas”, afirma.
