Um estudo realizado com jovens brasileiros entre 21 e 34 anos mostrou que as redes sociais têm causado profundas transformações na forma como a juventude se relaciona com a política.
A pesquisa ouviu 24 jovens em 2022, que vivem em metrópoles brasileiras de várias regiões, sobre temas relacionados à política, polarização e redes sociais.
Segundo a pesquisadora Catharina Vale, da Universidade Católica Portuguesa, o estudo constatou que essa faixa etária desconhece a vivência política sem intermediação das redes sociais, tornando-os mais suscetíveis às mudanças provocadas por esse tipo de mídia.
A pesquisadora identificou o conceito de ‘curadoria do eu’, que é a prática de selecionar deliberadamente o conteúdo político de forma individualizada e personalizada, como uma consequência da ansiedade e do cansaço gerado pelas redes sociais.
A ‘curadoria do eu’ pode empobrecer o debate entre os jovens e afetar a coletividade e a democracia, segundo Catharina.
Essa homogeneização pode tender aos extremos e gerar polarização, com menos espaço para debate e discussão.
A pesquisadora acredita que essa transformação pode ser observada a partir das Jornadas de Junho, em 2013, e pode ter um impacto significativo na forma de fazer política no Brasil nas próximas décadas.